Era uma noite quente, elétrica, It’s saturday night, baby! Mas, diferente de qualquer sábado comum na agenda do nosso querido J-T-G, tinha algo estranho no ar… fora do script. Pela primeira vez em muito tempo, o cara não tava cercado pelas mais insanas do catálogo do Fatal Models, nem rasgando a rua com aquele carro rebaixado até a bunda quase pedir arrego no asfalto (só ele jurava que aquilo era maneiro).
Em um salão grandioso, cercado por pinturas imponentes e estátuas que ecoavam a glória dos imperadores da Grécia Antiga, repousava ele. Estirado em um sofá de couro vermelho, sendo fotografado como se fosse o próprio colírio da Capricho, estava o nosso homem…
The greatest of all time.
J… T… G. JTG: Hey, Mr. T, quando diabos essa porcaria vai acabar? Já tô ficando com câimbra de ficar travado nessas poses ridículas, homie! That’s not cool, brother! Listen to me! Na moral… por algum motivo eu tô sentindo que tô posando pra porra de uma G Magazine, qual foi?! Eu não sou o caralho do Vampeta pra tá saindo em revista assim não, pô!
Mr. T: You are an I-D-O-L, JTG! Não é a toa que eu sou teu empresário… eu vi dinheiro enchendo nossos bolsos no exato momento que ouvi aquele freestyle na rua! Pense nessa sessão de fotos como um investimento, imagine todas aquelas fans admirando teu físico, teu molejo, oh damn i’m fucking E-X-C-I-T-I-N-G!!!!!!!!
JTG: Quer saber? YOU ARE RIGHT! GOD DAMMIT! No fim eu preciso dessa porra… por dias eu fiquei largado na minha cama, jogando Stellar Blade, entupido de Doritos e Gatorade… tentando esquecer da minha derrota pra aquela e-girl….. Me olhando de novo no espelho, eu lembro exatamente quem eu sou. O quão fodão eu sou, eu, o George Clooney afro-descendente. O verdadeiro pica de mel… ou melhor, honey dick, pra manter o style.
Mas sabe de uma coisa? Ficarei longe das góticas por um tempo…. Ela ainda está nos meus sonhos….Será que isso é rancor?… ou é só tesão de apanhar pra uma mulher bonita…..? Bom, isso não importa agora! Vamos terminar logo essa porra.
A sessão de fotos acabava… e o rapper nem se deu ao trabalho de perguntar onde aquilo ia sair. Foda-se. A autoestima tava lá em cima, tão alta que nem um fora iria arruinar o seu bom humor. J-T-G só ajustou a roupa, deu um sorrisinho e meteu o pé ao lado de seu manager.
JTG: T… preciso que você seja sincero comigo. Tu tá nessa caminhada comigo desde quando eu era só mais um maluco nas batalhas de rima nas esquinas do Brooklyn… tomando um Dr. Pepper com a rapaziada. Agora me diz… por que diabos você não me avisou que eu tenho mais uma luta nesse show de merda? Não era você que dizia que ia me levar pro topo? Então me explica… por que eu tô tendo que provar tudo de novo, como se eu ainda fosse aquele cara da esquina? Porra, os caras são uns duros! Nem mesmo o direito da minha imagem conseguiram pagar! Cade o Madison Square Garden que me prometeram? Desse jeito era melhor ter virado luchador lá no México.
Mr. T: Olha… não vou negar, eu prometi tudo isso… porém! Olha isso como investimento. Aos poucos que tu cresce como J-T-G, the king of the rings, a gente vai entrando no mercado da indústria do wrestling atual. Quem sabe até ganhar a confiança daquele puto do Brownsky Cardona! No momento que a gente tiver outro contrato… a gente pula fora dessa porra e foge pra um lar melhor. Ainda somos pequenos nesse ramo, my dear friend..
JTG: ….. I got it. Well, não é como se meu próximo combate fosse difícil quanto o anterior… afinal, são só mais alguns caras de Ohio nacionalistas que coçam o saco assistindo Jimmy Fallon. Um deles usa até um chapéu de cowboy… tá fazendo o quê, cosplay de Heath Ladger agora? Só espero que o amiguinho não entre no personagem e acabe dando um abraço caloroso de urso por trás.
Eu, JTG, não me importo com um bando de rednecks bêbados que só sabem comer KFC e sair distribuindo porrada. Diferente dessas criaturas que só seguem o instinto, eu sou um filho da puta ambicioso. Se eu quisesse, nem estaria arriscando a porra do meu corpo esculpido a imagem de Hércules nisso tudo… eu tenho grana pra aposentar seus filhos e até seus netos. Pra mim, não tem diferença nenhuma entre eles e dois pinschers latindo alto sem morder nada.
And… Tyler Breeze? God dammit. No meu primeiro dia até me aconselharam a evitar esse cara… e aqui estou eu, fazendo dupla com a figura. Os ideais dele podem ser meio estranhos… mas se ele me ajudar a vencer, nós dois viramos tipo Eminem e 50 Cent… ou Rocky e Apollo, no fim, todo branco precisa do seu amigo negro.
No ritmo que estamos, até a Saya-chan vai querer meu autógrafo. OH YEAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Até o motorista olhou pra trás estranhando. Que porra de voz foi essa? A voz claramente parecia de uma garota querendo ser notada pelo senpai.
Mr.T: My hommie is in love? Aw shit, here we go again. Agora pouco disse que ia largar as alternativas, pelo menos não é uma do job igual foi na outra vez.
Um som diferente ecoava pela residência dos Mysterios… algo que até os vizinhos mais acostumados com o “caos padrão” da família estranhariam. Mas dessa vez… não era só bagunça, era outro nível. O nosso mais querido filho da puta tinha simplesmente virado a noite, transformando a casa em um verdadeiro open bar. Vodka com Mansão Maromba rolando solta, música estourando nas paredes, rastros de gente espalhada por todo canto… um cenário digno de puro descontrole. E tudo isso? Claro, aproveitando cada segundo da ausência do velho e da irmã, que tinham viajado para Flórida passar na Disneyland.
Além dos vestígios deixados pela multidão (copos espalhados, móveis desalinhados) restavam apenas dois. O anfitrião bigodudo, famoso por ser o maior luchador de todos os tempos Dominik Mysterio, largado em uma cadeira de praia, escutava o outro homem, de calça larga e boné, soltando um inglês misturado com português toda hora. Cada palavra solta pelos seus lábios era quase como Sócrates ensinando Platão, refletindo no momento dos dois.
JTG: Hey, Dominik… C’MON, MAN! Você tá com medo agora? Sério isso? Depois dessa festa insana, desse open bar que EU carreguei nas costas… tu ainda tá com essa cara? Parece até que teus pais te arrastaram pra catequese, bro… que porra é essa?
Dom: Jayson… escúchame bien, man… eu sei que eu fudi com tudo, ¿ok? Soy un completo idiota…Desde aquele dia… eu tô correndo atrás do perdão da minha mamacita, a Liv… e tudo por quê? Por ciúmes de um maldito instrutor da academia dela. ¿Quién ella cree que soy, huh? ¿El Tufão ahora? Aquele hijo de puta anda com uma marra do maldito do Bad Bunny … e eu tenho que engolir isso? No, man… no puedo… como é que eu vou entrar no ringue tranquilo, focado nas minhas próximas lutas… com essa merda martelando na minha cabeça o tempo todo?
Nesse momento, JTG olha pra cena, revira os olhos… e simplesmente perde a paciência.
JTG: Nah, man… I can’t with this drama shit.
Sem pensar duas vezes, ele mete um chute na cadeira de Dom com tudo, tipo Ryu soltando um golpe, he’s a fucking warrior ????!!
JTG: Wake up call, bro… tu tava precisando. Tu tem essa bendita luta nesse caralhos de show, e eu também. Não quero que sua “vibe” acabe me deixando depressivo antes da minha, quem você pensa que é? I’M J-T-G e se você não esquecer dessa W-H-O-R-E quem vai enfrentar você vai ser eu, o verdadeiro B-I-G B-O-S-S, HELL YEAH.
Dominik: ¿Esta lucha? Jaajajajaja… por favor, man… eu nem tô preocupado. Podem falar o que quiser, que eu sou superficial… que eu sou isso ou aquilo… pero míralo bien…Você olha pra ele… e me diz você sente alguma aura? Algum calor latino de verdade? Porque eu entro em qualquer lugar… e isso vem comigo. No siento nada, bro… nada. Eu olho pra aquela bola de bilhar brilhando naquela careca… e é isso? É esse o cara que querem colocar no meu nível? E aí aparece o Hansen… o ‘príncipe encantado’ salvando ele de apanhar mais e tirar ele daquela merda. Dizem que a primeira impressão que é a que conta, né? E essa foi a minha.
JTG: Hey, hommie… na última vez que eu ouvi esse mesmo papo aí, lembra o que aconteceu?”Aquela linda, princesa, rainha das trevas SAYA-CHWAN~~ ganhou a porra da guerra e ainda chutou o meu beautiful ASS… e onde tu tava? Foi pegar água nos bastidores acompanhado da sua Carminha que lhe botou logo galha!
Dom: ¡Cállate, Jayson! Recuerda con quién estás hablando… o rosto da GCW, o cara que até o Jon Moxley viu potencial nesse mar de conformistas. E tu acha mesmo que eu vou perder pra aquele manja rola que se acha o Lobo de Wall Street? El hijo de puta fica aí falando que controla todo mundo, como se a gente fosse peça de xadrez… quem olha até pensa que é protagonista frio e calculista de desenho coreano.
Por ironía do destino, eu até poderia ter essa personalidade, sabes? Se eu tivesse continuado como um filhinho debaixo das asas do ‘papai’, eu estaria aí, estufando o peito, dizendo que controlo tudo, movendo as engrenagens desse sistema pelas raízes de onde eu vim. Desde meu avô, meu tio… todos conhecem esse negócio de wrestling….pero yo no soy eso, Jayson… yo elegí mi propio camino. Eu sou o melhor por quem eu sou, e não preciso falar igual um Coach vendedor de curso para comprovar isso.
JTG: THAT’S THE MO**ER FUCKER que eu conheço! Damn, finalmente parou de soltar aqueles papos tristes por causa daquela GURIA, já tava virando novela mexicana essa porra toda!
A porta se abre e Liv surge no cenário, parando por um segundo como se estivesse encarando um campo de guerra do vietnã, ela avança desviando dos destroços da festa e passa por um lustre estilhaçado no chão com uma cueca largada em cima, até que para completamente e encara diretamente o nosso protagonista
Liv: Dom, eu não acredito que você fez tudo isso por causa de uma merda de ciúmes, aquele cara nem hétero era e você aqui fazendo festa com essa cópia barata do 50 Cent da Shopee.
Dom: ¿....…? Tá vendo, JTG? Eu falei que a mamacita tava certa, então faz um favor e cai fora daqui, seu contador de mentiras do caralho
JTG: ? Não fui nem eu que falei, ta querendo dizer que eu sou má influencia é? And I’M JTG, LADY, 50Cent? I’M 200TRILLION Cent, pelo valor da minha fortuna que é maior que a renda mensal de vocês, o verdadeiro Big Boss é essa chica aí que te guia pelos chifres. I’M OUT.
E agora? JTG irá dar o troco? Liv irá perdoar Dominik por não resistir a festinha do barulho e fazer más amizades como JTG? O pai do Dominik irá descobrir tudo? Bom.... provavelmente meus caros leitores, vocês nunca vão saber.
O escritório da última gravação está em silêncio absoluto, porém, não vazio. Big Boss está presente e ele segura uma caneta de ouro entre os dedos, a girando enquanto seu brilho reflete nos óculos escuros do careca.
Eu fico impressionado com a capacidade que algumas pessoas tem de serem extremamente patéticas. Imagine alguém na mesma situação que vou descrever: a pessoa recebe tudo de bandeja simplesmente por ser filho de alguém famoso e, mesmo assim, é incapaz ao nível de não consegue capitalizar naquilo que é mais importante.
A história está repleta de figuras assim, não é? Eu mal consigo contar quantos adolescentes herdaram um sobrenome, o sangue talentoso e o privilégio que isso lhes gera, mas que não possuem um mínimo de qualidades necessárias para sustentar o peso de ter o caminho fácil. Eles confundem uma coisa muito básica, afinal, os holofotes que recebem por sair de um saco rico não significa ter conquistado respeito nessa indústria.
Eu olho para o que hoje chamam de "sucesso" e vejo apenas uma vitrine de produtos que não valem a metade de seu valor. Vejo jovens que se escondem atrás de uma falsa rebeldia para mascarar o fato de que, sem o sobrenome na certidão de nascimento, não passariam de figurantes. Eles se orgulham de "viver intensamente", de festas, de uma vida sem rédeas...
O grande problema disso tudo é que eu não posso simplesmente aceitar que esses adolescentes fora de controle continuem agindo dessa forma. Nessa grande indústria que eu comando, Dominik, esse viver intensamente é apenas outra forma de dizer que você está completamente fora de controle. Pra piorar ainda mais a sua situação, alguém fora de controle é um desperdício dentro do pro-wrestling.
Eu sei que dentro da sua cabeça você se imagina como um grande popstar, alguém que emana um brilho que ofusca todos aqueles que não tem algo que você tem. Isso até pode funcionar no mundo da fantasia, mas fora das redes sociais isso não vale absolutamente nada. Enquanto você se preocupa em como o seu sorriso reflete nas câmeras e em quantos comerciais você vai aparecer, eu me preocupo em como gerar dinheiro através do pro-wrestling.
Você não passa de um produto descartável de um sistema que falhou demais, o resultado da fraqueza do seu pai em dar origem ao pior Mysterio da família. Eu lembro do seu pai quando era mais jovem fazendo todas aquelas bobagens com os amigos, mas isso não pôs um centavo a mais na conta dele. Na verdade, pelo que eu me lembre, isso só servia pra alegrar adolescentes que, adivinha? Não se tornaram absolutamente nada de útil.
Você se vê como um rebelde, alguém que desafia o sistema, mas eu sou justamente o sistema em si. São pessoas iguais a mim que formam sou a estrutura que permite que jovens como você brinquem de serem importantes. Eu sou o teto de vidro que você nunca vai alcançar, não importa o quanto pule. A sua existência é um erro que o seu pai cometeu e, infelizmente pra você, eu vou corrigir esse erro.
Leve JTG, sua "mamacita" ou até mesmo o seu papai junto de você até o ringue, eu não me importo com nada além de te fazer entender a realidade. Seu pai pode ter te ensinado muitas coisas, mas eu fui, sou e sempre serei melhor do que ele conseguiu ser. Se o seu professor não foi melhor do que eu, o que você acha que pode fazer que eu já não tenha previsto? Acorda pra vida, garoto, a BML organizou o seu funeral e você nem percebeu. Essas BML Rules vão ser a pior coisa que poderia ter acontecido em toda a sua carreira.
Eu não estou indo para o ringue para te vencer, mas sim pra passar um corretivo na sua existência dentro dessa indústria. A lição vai ser dura e, pra facilitar a sua vida, vou te dar um spoiler. Vai ser contra mim que você vai finalmente entender que não passa de um garoto se fingindo de adulto, um moleque que mal entende como limpar a bunda direito.
Enquanto homens como Jon Moxley acreditam que a BML é um campo de batalha com essas ideologias estúpidas de pro-wrestling de verdade, eu a enxergo pelo que ela realmente é: um diamante bruto nas mãos de quem não sabe lapidar. Moxley abriu as portas, mas ele não tem a visão para construir o império, sendo somente a parte inicial do meu grande objetivo.
Eu não vim aqui apenas para competir em um torneio, uma luta eliminatória ou pra colecionar vitórias irrelevantes contra lutadores iguais a você. Eu vim pra consolidar a Big Mouth Loud sob a minha bandeira, eu quero transformar esse caos em uma operação lucrativa, eficiente e, acima de tudo, subordinada à minha vontade. O que vocês chamam de revolução, eu chamo de uma oportunidade de mercado pronta pra ser aproveitada.
Você, garoto, não passa do primeiro obstáculo que eu preciso remover pra que a minha visão se torne a única realidade desta empresa. Cada golpe que eu aplicar em você será um prego no caixão da carreira de Dominik Mysterio e, por consequência, um recado aos demais idiotas que ainda vão querer bater de frente comigo. No final de tudo isso, quando eu já tiver eliminado todos os impecilhos e lutadores inúteis da BML, Moxley vai ser só uma menção honrosa dentro da minha empresa, as vezes sendo citado enquanto o meu rosto estampa as capas de revista.
Eu não estou querendo um lugar na mesa pra pegar o maior prato da banquete, afinal, essa mesa inteira já é minha. Não se preocupem, eu vou repartir o meu banquete com cada um de vocês e provar que eu sou um chefe generoso, mas é bom que vocês já comecem a aceitar a ideia que Jon Moxley é coisa passageira e que Big Boss vai assumir o papel que levará a BML ao maior estrelato possível.
Já você, Dom Dom, vai pro castigo jajá. Enquanto eu estiver por aqui, você vai sempre ficar escanteado e, de preferência, ser mandado embora pra bem longe. Se você não acredita em mim, garoto...
A câmera liga. Tyler Breeze está sentado sozinho no vestiário, inclinado para frente em uma cadeira metálica.
— Quando eu cheguei na Big Mouth Loud, eu ouvi muitas coisas. “Violenta”, “caótica”, “sem controle”.
Tyler balança a cabeça lentamente.
— Mas sabe qual é a palavra que descreve perfeitamente esse lugar?
Ele se aproxima um pouco da câmera.
— Tóxico.
Após uma breve pausa, ele retoma a fala.
— Esse lugar é cheio de homens tóxicos. Homens que confundem brutalidade com personalidade. Homens que acham que berrar mais alto automaticamente os torna mais relevantes. Homens que entram num ringue como cães famintos arrancando uns aos outros por migalhas de atenção. E o mais engraçado disso tudo… eles provavelmente olham pra mim e pensam que sou feito do mesmo material que eles.
Tyler se recosta na cadeira.
— Minha estreia na King Of The Indies Match deveria ter deixado algo muito claro pra todo mundo, mas não posso esperar poder dedutivo de pessoas que pagam para ver tipos como “Dominick Mysterio” e “Big Boss”, então deixe-me colocar da forma mais óbvia possível: eu pertenço ao topo dessa empresa. Não porque eu sou o mais violento. Não porque eu sou o mais louco, mas porque eu sou o melhor e é simples assim. Saya Kamitani me eliminou, é verdade. Saya Kamitani foi proclamada a grande vencedora da noite. Parabéns pra ela! Sério, foi inteligente. Porque por um segundo… só um segundo… eu achei que pudesse confiar nela. Erro meu. Um erro que não voltará a se repetir.
Ele se levanta devagar, caminhando pelo vestiário enquanto fala.
— Aquilo não foi totalmente ruim. Aquilo me fez confirmar o que eu já desconfiava desde o princípio: esse lugar não funciona com confiança. Não funciona com respeito. Não funciona com conexão humana. A Big Mouth Loud é um ecossistema de egos doentes tentando sobreviver uns aos outros. E certamente ninguém aqui é mais consciente disso do que eu. Tendo dito tudo isto… eu sei que agora você quer saber por que eu aceitei lutar ao lado de JTG contra Bruiser Brody e Stan Hansen. “Tyler, vocês são amigos agora?” “Tyler, você finalmente encontrou alguém semelhante a você nessa empresa?” E a resposta nunca poderia ser outra… não! JTG é útil neste momento, nada além disso. Bruiser Brody e Stan Hansen são lendas. Dinossauros moldados numa era em que deixar cicatrizes era mais importante do que deixar legado. E eu entendo o peso disso. Entendo o simbolismo. Entendo o que significa dividir o ringue com eles.
Então seu sorriso cresce.
— Porque enquanto todo mundo olha pra essa luta e vê uma guerra… eu vejo apenas a oportunidade. Uma oportunidade de fazer aquilo que eu faço de melhor. Oportunidade de roubar a cena. Oportunidade não de sobreviver aos monstros, mas de fazê-los render-se em frente ao inevitável. Oportunidade de garantir que, no final da noite, ninguém esteja falando sobre Brody. Ninguém esteja falando sobre Hansen. E definitivamente ninguém esteja falando sobre JTG.
Agora Tyler está muito próximo da câmera. Confiante. Controlado. Vaidoso.
— Eles vão falar sobre mim.
Tyler encara a lente por alguns segundos, sorri novamente, e só então vai embora.
Em todo meu tempo de vida, sofri inúmeras derrotas... no ringue ou não, foram essas decepções que proveram muito de meu sucesso posterior. Quero dizer, a velha máxima de que aprendemos em nossos erros funciona em muitas das vezes. Nunca tive medo de errar ou de perder. Para muitos, talvez essa seja minha maior falha, mas da forma que eu vejo, eu estaria falhando se não me arriscasse todas as vezes. Eu assumo os riscos pois sem eles eu não estaria vivendo ao meu nível.
A BML me trouxe novamente uma sensação que há tempos não havia vivenciado, e novamente, não perderei nenhuma oportunidade de viver isso ao máximo. Não se engane, em momento algum farei isso por qualquer um dos otários que estarão em seus assentos implorando por aqueles segundos que coloquei minha vida em risco por segundos de êxtase, farei meu máximo porque essa é a única maneira em que sei fazer.
Meu oponente, por outro lado, me mostra tudo aquilo que mais me enoja. Me impressiona quando um suposto campeão se esconde atrás de cinturão, para evitar tomar riscos. Bobby, não o vi no último show. Talvez estivesse poupando dos perigos de possivelmente se deparar com Jeff Hardy em sua frente. Bem, não o julgo. Enfrentar um homem que não tem nada a perder pode ser assustador. Tenho uma má notícia, o momento chegou. Dessa vez, não há como recuar.
Temos um dilema aqui, você tem algo que eu quero... quer dizer, preciso. Existe algo interessante nisso, o Pure Championship remete a muito daquilo que quis dizer desde que cheguei nesta empresa, meu anseio em estar aqui é puramente por wrestling. Isso quer dizer que nada faria mais sentido do que ter em meus ombros o título que me define, puramente o melhor wrestler de toda companhia.
Jeff Hardy fellas... você bem sabe que nenhum de nós dois é PURO o suficiente pra esse cinturão aqui, meu chapa... se acender um fósforo do seu lado é capaz de explodir kkk. Existem algumas sistemáticas que nunca mudam. A minha é parar de fumar, a sua é ficar sóbrio. Você continua sendo o mesmo junkie de merda que eu via na TV quando era moleque. Só que agora tá mais velho, mais lento, mais quebrado e ainda fingindo que é o Charismatic Enigma. Enigma da minha caceta, amigo. Você é só um viciado previsível que cheira, injeta ou engole qualquer coisa que faça ele lembrar que já foi bom um dia. E não tá errado, mas... olha pra você, caba... andando como se tivesse levado uma porrada da vida inteira e levou mesmo, né? Eu juro, meu velho, se eu visse uma foto sua no meu cingarinho eu parava de fumar na mesma hora, meu chapa. SIM! EU, O REI DO MAÇO... tem futuro, fellas? O público te olha com pena, irmão. Pena! Aquele mesmo público que você tanto ama te vê como um palhaço que não sabe quando parar.
[Agora ele olha sério pra câmera
Mas aqui estou eu. Porque por mais que eu despreze esse lugar... América ainda é a maior vitrine do mundo. E eu não vim aqui pra fazer parte do show. Eu vim pra mudar o show. Eu trouxe algo que vocês esqueceram há muito tempo: wrestling PURO. Sem firula. Puro suco. Sem personagem da MARVEL. Só dois home no ringue, técnica, violência, inteligência e dor. O wrestling que merece respeito. LUTA DE MACHO. Você, Jeff... você é a cara de tudo que eu vim destruir. Um homem que passou a carreira inteira se destruindo por entretenimento. Um símbolo do excesso, da autodestruição romantizada, do circo que essa indústria virou. Eu vo lhe BAGAÇAR, Jeff Hardy! Eu não estou aqui pra entreter!
Eu estou aqui pra conquistar. E fuma. E se pra isso eu tiver que passar por cima de lendas caídas, de ícones quebrados e de um público que não entende mais a diferença entre arte e palhaçada... que assim seja. Eu odeio a América beleza. Mas eu amo o que eu posso fazer aqui. E fuma.
[ONITA Factory. O ginásio está fechado. Ninguem está treinando. No ringue, apenas duas cadeiras. Shibata está de pé do lado de uma delas. Ele está lá batendo o pé ansiosamente, claramente esperando por mais alguém. Esse alguém? O próprio ONITA que mesmo atrasado, vai sem pressa nenhuma de encontro com o novato.]
Katsuyori Shibata: Demora da porra.
ONITA: Eu falei que ia chegar na hora?
Katsuyori Shibata: Foda-se.
ONITA: Senta ai logo, precisamos conversar.
Katsuyori Shibata: Conversar? Eu vim aqui pra treinar, ONITA. Não me diga que você me trouxe aqui pra conversar. Eu lá tô com cara que quero ficar batendo papo com gente da sua idade?
ONITA: Me escuta aqui seu punk, senta a porra da bunda e escuta o que eu tenho pra te dizer.
Katsuyori Shibata: Beleza, ta bom. Pode falar.
ONITA: E o King Of The Indies, seu merdinha?
Katsuyori Shibata: O que tem?
ONITA: Como assim o que tem? Eu te arrumei um spot naquela merda e na hora do show eu recebo uma ligaçao do Moxley me dizendo que o garoto que eu trouxe simplesmente não apareceu?!
Katsuyori Shibata: Eu só não quis mesmo.
ONITA: Você… Você só pode achar que eu sou idiota né, seu merdinha? Não quis? Claro que você queria! Você implorou para estar naquela empresa e eu te coloquei la mas na hora de lutar você não quis mais?
Katsuyori Shibata: Que foi, porra? Ta surdo?
ONITA: Fala a verdade, você ficou com medo.
Katsuyori Shibata: Medo? Olha na minha cara, velhote. Você acha que eu fiquei com medo? Não, idiota. Eu só não quis perder meu tempo. Eu não tenho nada a provar a ninguem. Jon Moxley queria seu ace, problema dele, eu não vim aqui para ser porta voz de ninguem. Tu tá certo mesmo, ONITA. Eu implorei pra vir pra BML. E deu certo. Eu tô lá. Valeu. Obrigado. Não vamos confundir as coisas aqui, beleza? Eu sei o que to fazendo. Inclusive, eu ja arrumei uma luta pra mim no proximo show.
ONITA: Ah, é? Com quem?
Katsuyori Shibata: Sei la, fiquei andando por até achar um gaijin que me daria uma boa luta. Eu acho que é esse o cara.
ONITA: Então você não sabe nada sobre ele?
Katsuyori Shibata: Nada de nada.
ONITA: Arriscado, garoto, arriscado. Você pode estar tentando caçar algo que você não pode matar e nem se da conta disso.
Katsuyori Shibata: É, ok. Eu apenas faço as coisas. Eu não penso muito. Mas esse é o meu diferencial, não é? Eu atiro, depois pergunto. Eu faço as coisas acontecerem e você mesmo não pode discordar que é justamente por isso que eu estou aqui mesmo tão novo. Então na moral? Relaxa. Eu sei o que eu to fazendo.
[Shibata sai dali sem deixar ONITA dar uma palavra final. É, o moleque é foda.]
[Saya está sentada à mesma mesa, na mesma sala, observando um balde de tinta num tom avermelhado mais escuro. O ambiente estava ainda mais enegrecido e decadente, resultado do incêndio que ocorreu. Ela manuseia um pincel, mas antes de mergulhá-lo no balde, quebra-o. Então, sem cerimônias, afunda seu braço no balde, e começa a encarar sua mão suja bem próxima ao seu rosto.]
Como você diferencia um artista de sua arte? O quanto do espírito de Michelângelo foi parar no teto da Capela Sistina? Dá para distinguir o objeto de seu criador? Acredito que nas artes plásticas é mais fácil responder. A conexão entre aquele que segurou a ponta seca do pincel e os movimentos registrados na superfície daquela construção é invisível. Toda a nossa percepção de seu talento que temos hoje é baseada nos materiais que ele deixou, pois Michelângelo já morreu. Hoje, não nos importamos com como ele vivia, quem eram seus amigos, família, nas coisas que o inspiraram. Michelângelo deixou de ser uma pessoa factível, que viveu e pisou na mesma terra que pisamos, e se tornou um construto idealístico que possuímos sobre o seu trabalho. Quase como se seu espírito habitasse em suas obras, e as partes que não conseguimos encontrar nelas foram apagadas da história. No nosso caso é um pouco mais complicado. Nós somos os artistas e também somos a nossa arte. A maneira a qual nos vestimos, as palavras que proferimos, as agressões que desferimos, às agressões alheias que resistimos… São como se fossem os traços com os quais compomos as nossas personagens. A conexão entre aquele que produz esses traços e a pessoa que o público assiste nos ringues não é invisível: ela não existe! Quem dá a porrada sou eu, quem toma a porrada ainda sou eu! Já que colocaram um alvo em mim e você veio imediatamente me caçar, vamos fazer isso de verdade. Hoje é sem fantasias, Dustin.
Eu sou a personagem e a artista simultaneamente. Um objeto de cobiça e inveja, e o objetivo de todos aqui. Eu sou Michelângelo e o seu afresco, eu sou Van Gogh e a Noite Estrelada, Da Vinci e a Monalisa. The Phenex Queen of the Indies, o grande motivo de você ter trazido sua carcaça podre para Ohio. Meu personagem é majestoso porque eu sou majestosa. Chamam-me de Saya Kamitani, não porque eu quero, mas porque este é meu verdadeiro nome. Esta tinta que banha meu braço pode representar a sanguinolência na qual eu me banho e construo meu legado. Mas, o que me diferencia de todos os outros não é nenhuma fantasia, poesia ou metáfora bem elaborada. Falar bonito só te leva até certo ponto. O que me diferencia de todos os outros é que eu venci, mas eu não luto para vencer. A competitividade é o mais saboroso dos combustíveis, e jogaram um galão cheio sobre um pássaro de fogo. Pedaços de metal para carregar, o reconhecimento do seu sucesso, são todos prazeres legais, mas momentâneos. Eu busco a eternidade e a plenitude que apenas uma expressão artística tão visceral e crua pode me oferecer. Eu sou obstinada pelo combate. A sensação de que a qualquer momento um golpe pode acabar de vez com o meu sofrimento é viciante. E o descarrego desesperado de toda a minha amargura, todo o meu rancor, sobre o desgraçado do oponente que não me concedeu esse simples pedido… É arte. Para você, Dustin, e para todos os que virão após: eu não vou me defender, uma fênix não precisa disso. Se você quer tanto me dar prazer, mate-me! Porque nós não vamos ambos sair vivos daquele ringue!
[Saya passa a mão de tinta em seu rosto mas faz uma feição de desagrado. Ela então se levanta e caminha até um grande espelho, encostado em um dos cantos da sala, perto de uma grande janela. Kamitani encara seu reflexo com atenção, analisando as marcas da tinta na sua pele. Então, abruptamente acerta uma forte cabeçada no vidro, quebrando o espelho e abrindo um corte em sua testa. Sangue começa a escorrer e finalmente um sorriso se abre.]
A tinta pode possuir uma textura parecida, uma tonalidade idêntica, mas ainda falta o cheiro do sangue. E como toda farsa, é exposta pelo tempo: ao invés de evaporar, ou ser absorvida pela superfície, ela endurece quando seca. Dustin, você que é mais experiente no assunto pode me responder uma pergunta: quanta tinta é necessária para você fingir que não se reconhece mais no espelho? Eu te reconheço, desgraçado. Objeto e criador, arte e artista. E te invejo. E te abomino. Escatologia pode ser um pecado aos olhos de Deus, mas não aos olhos da Marquesa do Inferno. Você tem muita coragem para proferir os absurdos que profere, para encenar as bizarrices que encena. Mas essa coragem só vai até certo ponto, porque ainda se esconde dessa pintura. Ela te ajuda a chegar em casa e olhar no olho dos seus familiares? Ela alivia a sua consciência ao deitar em seu travesseiro? Como se os seus pecados fossem transferidos para esse personagem que criou. Uma vida já é dura demais para se viver, imagine duas. Você carrega um peso desnecessariamente grande sobre seus ombros, e tudo isso porque não passa de um covarde! Se você não consegue matar o medo de se expor, acredito que seja pedir demais para que você me mate. Deus pode te perdoar pelos teus pecados, mas eu não vou perdoar a sua covardia!
E até o final de nosso duelo, eu vou expor para todos dentro do Fitton Center o verdadeiro Dustin. Arrancar o ouro da sua face com as minhas unhas, fazê-lo sangrar até os rios vermelhos cobrirem toda a sua pintura. Arrancar o ouro de seu peito e te chutar de volta para o bueiro de onde saiu de mãos vazias. Arrancar o ouro de seu nome na hora de cravar na sua lápide. A sua personagem não te faz ser menos podre, e suas conquistas não te fazem menos pedante. Ninguém coloca um alvo na cabeça de algo fácil de se matar. Esse objetivo que venderam para vocês é uma grande armadilha! Porque se eu soubesse como me matar, eu já tinha me matado! Não é possível que você respire o ar pesado desta cidade, e não perceba que algo estranho está acontecendo. Você mesmo disse que este é o lado sujo da indústria, e ainda assim ofereceu tudo o que tinha para o diabo? Esse é o problema da covardia, Dustin. Ela não te permite ser tolo. Porque as consequências sempre são desoladoras. Os sinais todos brilharam para você, os avisos todos brilharam para você, mas você quis brilhar mais do que todos eles! Você pediu para eu escolher entre seu cinturão e o seu pau, mas nenhum dos dois me vale de porra nenhuma!
Não se apegue ao meu personagem, Dustin, e esqueça da artista. Eu sou sim uma fênix, mas não é isso o que deve te preocupar. O que impossibilita a sua missão não é o folclore ou a fantasia, é o fato de que eu sou uma competidora muito mais jovem, faminta e obstinada que você. É a coragem que eu tenho de expor os meus demônios, as minhas dúvidas e as minhas fragilidades. É o ranço imensurável que nutro por criaturas medíocres e medonhas como você. E se tudo isso me falhar e se por um milagre você me matar… Aí sim você vai se lembrar de que sou uma fênix. Já você? Está há muitos anos além do seu auge. Tenta compensar a decadência física com a exacerbação do absurdo. Mas, você não me choca, nem mesmo me enoja. Eu vivo no inferno, Dustin, a escatologia é segunda-feira para mim. “O mais perto de um orgasmo que eu nunca tive? Se não consegue terminar o serviço, nem começa a foder.
[Saya ri, pega o grande espelho com certa dificuldade e o arremessa pela janela, quebrando-a. As gargalhadas ficam cada vez mais altas e ela se joga no chão. Passa então a mão sem tinta no sangue que escorria e a leva até sua boca].
O seu eu não me arrisco a provar.
[Saya continua gargalhando no chão.]
Não apague um artista, exponha-o
A Marquesa do Inferno The Phenex Queen Saya Kamitani
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ExcluirEra uma noite quente, elétrica, It’s saturday night, baby! Mas, diferente de qualquer sábado comum na agenda do nosso querido J-T-G, tinha algo estranho no ar… fora do script. Pela primeira vez em muito tempo, o cara não tava cercado pelas mais insanas do catálogo do Fatal Models, nem rasgando a rua com aquele carro rebaixado até a bunda quase pedir arrego no asfalto (só ele jurava que aquilo era maneiro).
ResponderExcluirEm um salão grandioso, cercado por pinturas imponentes e estátuas que ecoavam a glória dos imperadores da Grécia Antiga, repousava ele. Estirado em um sofá de couro vermelho, sendo fotografado como se fosse o próprio colírio da Capricho, estava o nosso homem…
The greatest of all time.
J… T… G.
JTG: Hey, Mr. T, quando diabos essa porcaria vai acabar? Já tô ficando com câimbra de ficar travado nessas poses ridículas, homie! That’s not cool, brother! Listen to me! Na moral… por algum motivo eu tô sentindo que tô posando pra porra de uma G Magazine, qual foi?! Eu não sou o caralho do Vampeta pra tá saindo em revista assim não, pô!
Mr. T: You are an I-D-O-L, JTG! Não é a toa que eu sou teu empresário… eu vi dinheiro enchendo nossos bolsos no exato momento que ouvi aquele freestyle na rua! Pense nessa sessão de fotos como um investimento, imagine todas aquelas fans admirando teu físico, teu molejo, oh damn i’m fucking E-X-C-I-T-I-N-G!!!!!!!!
JTG: Quer saber? YOU ARE RIGHT! GOD DAMMIT! No fim eu preciso dessa porra… por dias eu fiquei largado na minha cama, jogando Stellar Blade, entupido de Doritos e Gatorade… tentando esquecer da minha derrota pra aquela e-girl….. Me olhando de novo no espelho, eu lembro exatamente quem eu sou. O quão fodão eu sou, eu, o George Clooney afro-descendente. O verdadeiro pica de mel… ou melhor, honey dick, pra manter o style.
Mas sabe de uma coisa? Ficarei longe das góticas por um tempo…. Ela ainda está nos meus sonhos….Será que isso é rancor?… ou é só tesão de apanhar pra uma mulher bonita…..? Bom, isso não importa agora! Vamos terminar logo essa porra.
A sessão de fotos acabava… e o rapper nem se deu ao trabalho de perguntar onde aquilo ia sair. Foda-se. A autoestima tava lá em cima, tão alta que nem um fora iria arruinar o seu bom humor. J-T-G só ajustou a roupa, deu um sorrisinho e meteu o pé ao lado de seu manager.
JTG: T… preciso que você seja sincero comigo. Tu tá nessa caminhada comigo desde quando eu era só mais um maluco nas batalhas de rima nas esquinas do Brooklyn… tomando um Dr. Pepper com a rapaziada. Agora me diz… por que diabos você não me avisou que eu tenho mais uma luta nesse show de merda? Não era você que dizia que ia me levar pro topo? Então me explica… por que eu tô tendo que provar tudo de novo, como se eu ainda fosse aquele cara da esquina? Porra, os caras são uns duros! Nem mesmo o direito da minha imagem conseguiram pagar! Cade o Madison Square Garden que me prometeram? Desse jeito era melhor ter virado luchador lá no México.
Mr. T: Olha… não vou negar, eu prometi tudo isso… porém! Olha isso como investimento. Aos poucos que tu cresce como J-T-G, the king of the rings, a gente vai entrando no mercado da indústria do wrestling atual. Quem sabe até ganhar a confiança daquele puto do Brownsky Cardona! No momento que a gente tiver outro contrato… a gente pula fora dessa porra e foge pra um lar melhor. Ainda somos pequenos nesse ramo, my dear friend..
JTG: ….. I got it. Well, não é como se meu próximo combate fosse difícil quanto o anterior… afinal, são só mais alguns caras de Ohio nacionalistas que coçam o saco assistindo Jimmy Fallon. Um deles usa até um chapéu de cowboy… tá fazendo o quê, cosplay de Heath Ladger agora? Só espero que o amiguinho não entre no personagem e acabe dando um abraço caloroso de urso por trás.
Eu, JTG, não me importo com um bando de rednecks bêbados que só sabem comer KFC e sair distribuindo porrada. Diferente dessas criaturas que só seguem o instinto, eu sou um filho da puta ambicioso. Se eu quisesse, nem estaria arriscando a porra do meu corpo esculpido a imagem de Hércules nisso tudo… eu tenho grana pra aposentar seus filhos e até seus netos. Pra mim, não tem diferença nenhuma entre eles e dois pinschers latindo alto sem morder nada.
ExcluirAnd… Tyler Breeze? God dammit. No meu primeiro dia até me aconselharam a evitar esse cara… e aqui estou eu, fazendo dupla com a figura. Os ideais dele podem ser meio estranhos… mas se ele me ajudar a vencer, nós dois viramos tipo Eminem e 50 Cent… ou Rocky e Apollo, no fim, todo branco precisa do seu amigo negro.
No ritmo que estamos, até a Saya-chan vai querer meu autógrafo. OH YEAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Até o motorista olhou pra trás estranhando. Que porra de voz foi essa? A voz claramente parecia de uma garota querendo ser notada pelo senpai.
Mr.T: My hommie is in love? Aw shit, here we go again. Agora pouco disse que ia largar as alternativas, pelo menos não é uma do job igual foi na outra vez.
JTG
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ExcluirDomingo, 6:30 da manhã - San Diego, California
ResponderExcluirUm som diferente ecoava pela residência dos Mysterios… algo que até os vizinhos mais acostumados com o “caos padrão” da família estranhariam. Mas dessa vez… não era só bagunça, era outro nível. O nosso mais querido filho da puta tinha simplesmente virado a noite, transformando a casa em um verdadeiro open bar. Vodka com Mansão Maromba rolando solta, música estourando nas paredes, rastros de gente espalhada por todo canto… um cenário digno de puro descontrole. E tudo isso? Claro, aproveitando cada segundo da ausência do velho e da irmã, que tinham viajado para Flórida passar na Disneyland.
Além dos vestígios deixados pela multidão (copos espalhados, móveis desalinhados) restavam apenas dois. O anfitrião bigodudo, famoso por ser o maior luchador de todos os tempos Dominik Mysterio, largado em uma cadeira de praia, escutava o outro homem, de calça larga e boné, soltando um inglês misturado com português toda hora. Cada palavra solta pelos seus lábios era quase como Sócrates ensinando Platão, refletindo no momento dos dois.
JTG: Hey, Dominik… C’MON, MAN! Você tá com medo agora? Sério isso? Depois dessa festa insana, desse open bar que EU carreguei nas costas… tu ainda tá com essa cara? Parece até que teus pais te arrastaram pra catequese, bro… que porra é essa?
Dom: Jayson… escúchame bien, man… eu sei que eu fudi com tudo, ¿ok? Soy un completo idiota…Desde aquele dia… eu tô correndo atrás do perdão da minha mamacita, a Liv… e tudo por quê? Por ciúmes de um maldito instrutor da academia dela. ¿Quién ella cree que soy, huh? ¿El Tufão ahora? Aquele hijo de puta anda com uma marra do maldito do Bad Bunny … e eu tenho que engolir isso? No, man… no puedo… como é que eu vou entrar no ringue tranquilo, focado nas minhas próximas lutas… com essa merda martelando na minha cabeça o tempo todo?
Nesse momento, JTG olha pra cena, revira os olhos… e simplesmente perde a paciência.
JTG: Nah, man… I can’t with this drama shit.
Sem pensar duas vezes, ele mete um chute na cadeira de Dom com tudo, tipo Ryu soltando um golpe, he’s a fucking warrior ????!!
JTG: Wake up call, bro… tu tava precisando. Tu tem essa bendita luta nesse caralhos de show, e eu também. Não quero que sua “vibe” acabe me deixando depressivo antes da minha, quem você pensa que é? I’M J-T-G e se você não esquecer dessa W-H-O-R-E quem vai enfrentar você vai ser eu, o verdadeiro B-I-G B-O-S-S, HELL YEAH.
Dominik: ¿Esta lucha? Jaajajajaja… por favor, man… eu nem tô preocupado. Podem falar o que quiser, que eu sou superficial… que eu sou isso ou aquilo… pero míralo bien…Você olha pra ele… e me diz você sente alguma aura? Algum calor latino de verdade? Porque eu entro em qualquer lugar… e isso vem comigo. No siento nada, bro… nada. Eu olho pra aquela bola de bilhar brilhando naquela careca… e é isso? É esse o cara que querem colocar no meu nível? E aí aparece o Hansen… o ‘príncipe encantado’ salvando ele de apanhar mais e tirar ele daquela merda. Dizem que a primeira impressão que é a que conta, né? E essa foi a minha.
JTG: Hey, hommie… na última vez que eu ouvi esse mesmo papo aí, lembra o que aconteceu?”Aquela linda, princesa, rainha das trevas SAYA-CHWAN~~ ganhou a porra da guerra e ainda chutou o meu beautiful ASS… e onde tu tava? Foi pegar água nos bastidores acompanhado da sua Carminha que lhe botou logo galha!
Dom: ¡Cállate, Jayson! Recuerda con quién estás hablando… o rosto da GCW, o cara que até o Jon Moxley viu potencial nesse mar de conformistas. E tu acha mesmo que eu vou perder pra aquele manja rola que se acha o Lobo de Wall Street? El hijo de puta fica aí falando que controla todo mundo, como se a gente fosse peça de xadrez… quem olha até pensa que é protagonista frio e calculista de desenho coreano.
ExcluirPor ironía do destino, eu até poderia ter essa personalidade, sabes? Se eu tivesse continuado como um filhinho debaixo das asas do ‘papai’, eu estaria aí, estufando o peito, dizendo que controlo tudo, movendo as engrenagens desse sistema pelas raízes de onde eu vim. Desde meu avô, meu tio… todos conhecem esse negócio de wrestling….pero yo no soy eso, Jayson… yo elegí mi propio camino. Eu sou o melhor por quem eu sou, e não preciso falar igual um Coach vendedor de curso para comprovar isso.
JTG: THAT’S THE MO**ER FUCKER que eu conheço! Damn, finalmente parou de soltar aqueles papos tristes por causa daquela GURIA, já tava virando novela mexicana essa porra toda!
A porta se abre e Liv surge no cenário, parando por um segundo como se estivesse encarando um campo de guerra do vietnã, ela avança desviando dos destroços da festa e passa por um lustre estilhaçado no chão com uma cueca largada em cima, até que para completamente e encara diretamente o nosso protagonista
Liv: Dom, eu não acredito que você fez tudo isso por causa de uma merda de ciúmes, aquele cara nem hétero era e você aqui fazendo festa com essa cópia barata do 50 Cent da Shopee.
Dom: ¿....…? Tá vendo, JTG? Eu falei que a mamacita tava certa, então faz um favor e cai fora daqui, seu contador de mentiras do caralho
JTG: ? Não fui nem eu que falei, ta querendo dizer que eu sou má influencia é? And I’M JTG, LADY, 50Cent? I’M 200TRILLION Cent, pelo valor da minha fortuna que é maior que a renda mensal de vocês, o verdadeiro Big Boss é essa chica aí que te guia pelos chifres. I’M OUT.
E agora? JTG irá dar o troco? Liv irá perdoar Dominik por não resistir a festinha do barulho e fazer más amizades como JTG? O pai do Dominik irá descobrir tudo? Bom.... provavelmente meus caros leitores, vocês nunca vão saber.
Dominik Mysterio
This boy is a joke.
ResponderExcluirO escritório da última gravação está em silêncio absoluto, porém, não vazio. Big Boss está presente e ele segura uma caneta de ouro entre os dedos, a girando enquanto seu brilho reflete nos óculos escuros do careca.
Eu fico impressionado com a capacidade que algumas pessoas tem de serem extremamente patéticas. Imagine alguém na mesma situação que vou descrever: a pessoa recebe tudo de bandeja simplesmente por ser filho de alguém famoso e, mesmo assim, é incapaz ao nível de não consegue capitalizar naquilo que é mais importante.
A história está repleta de figuras assim, não é? Eu mal consigo contar quantos adolescentes herdaram um sobrenome, o sangue talentoso e o privilégio que isso lhes gera, mas que não possuem um mínimo de qualidades necessárias para sustentar o peso de ter o caminho fácil. Eles confundem uma coisa muito básica, afinal, os holofotes que recebem por sair de um saco rico não significa ter conquistado respeito nessa indústria.
Eu olho para o que hoje chamam de "sucesso" e vejo apenas uma vitrine de produtos que não valem a metade de seu valor. Vejo jovens que se escondem atrás de uma falsa rebeldia para mascarar o fato de que, sem o sobrenome na certidão de nascimento, não passariam de figurantes. Eles se orgulham de "viver intensamente", de festas, de uma vida sem rédeas...
O grande problema disso tudo é que eu não posso simplesmente aceitar que esses adolescentes fora de controle continuem agindo dessa forma. Nessa grande indústria que eu comando, Dominik, esse viver intensamente é apenas outra forma de dizer que você está completamente fora de controle. Pra piorar ainda mais a sua situação, alguém fora de controle é um desperdício dentro do pro-wrestling.
Eu sei que dentro da sua cabeça você se imagina como um grande popstar, alguém que emana um brilho que ofusca todos aqueles que não tem algo que você tem. Isso até pode funcionar no mundo da fantasia, mas fora das redes sociais isso não vale absolutamente nada. Enquanto você se preocupa em como o seu sorriso reflete nas câmeras e em quantos comerciais você vai aparecer, eu me preocupo em como gerar dinheiro através do pro-wrestling.
Você não passa de um produto descartável de um sistema que falhou demais, o resultado da fraqueza do seu pai em dar origem ao pior Mysterio da família. Eu lembro do seu pai quando era mais jovem fazendo todas aquelas bobagens com os amigos, mas isso não pôs um centavo a mais na conta dele. Na verdade, pelo que eu me lembre, isso só servia pra alegrar adolescentes que, adivinha? Não se tornaram absolutamente nada de útil.
Você se vê como um rebelde, alguém que desafia o sistema, mas eu sou justamente o sistema em si. São pessoas iguais a mim que formam sou a estrutura que permite que jovens como você brinquem de serem importantes. Eu sou o teto de vidro que você nunca vai alcançar, não importa o quanto pule. A sua existência é um erro que o seu pai cometeu e, infelizmente pra você, eu vou corrigir esse erro.
Leve JTG, sua "mamacita" ou até mesmo o seu papai junto de você até o ringue, eu não me importo com nada além de te fazer entender a realidade. Seu pai pode ter te ensinado muitas coisas, mas eu fui, sou e sempre serei melhor do que ele conseguiu ser. Se o seu professor não foi melhor do que eu, o que você acha que pode fazer que eu já não tenha previsto? Acorda pra vida, garoto, a BML organizou o seu funeral e você nem percebeu. Essas BML Rules vão ser a pior coisa que poderia ter acontecido em toda a sua carreira.
Eu não estou indo para o ringue para te vencer, mas sim pra passar um corretivo na sua existência dentro dessa indústria. A lição vai ser dura e, pra facilitar a sua vida, vou te dar um spoiler. Vai ser contra mim que você vai finalmente entender que não passa de um garoto se fingindo de adulto, um moleque que mal entende como limpar a bunda direito.
Enquanto homens como Jon Moxley acreditam que a BML é um campo de batalha com essas ideologias estúpidas de pro-wrestling de verdade, eu a enxergo pelo que ela realmente é: um diamante bruto nas mãos de quem não sabe lapidar. Moxley abriu as portas, mas ele não tem a visão para construir o império, sendo somente a parte inicial do meu grande objetivo.
ExcluirEu não vim aqui apenas para competir em um torneio, uma luta eliminatória ou pra colecionar vitórias irrelevantes contra lutadores iguais a você. Eu vim pra consolidar a Big Mouth Loud sob a minha bandeira, eu quero transformar esse caos em uma operação lucrativa, eficiente e, acima de tudo, subordinada à minha vontade. O que vocês chamam de revolução, eu chamo de uma oportunidade de mercado pronta pra ser aproveitada.
Você, garoto, não passa do primeiro obstáculo que eu preciso remover pra que a minha visão se torne a única realidade desta empresa. Cada golpe que eu aplicar em você será um prego no caixão da carreira de Dominik Mysterio e, por consequência, um recado aos demais idiotas que ainda vão querer bater de frente comigo. No final de tudo isso, quando eu já tiver eliminado todos os impecilhos e lutadores inúteis da BML, Moxley vai ser só uma menção honrosa dentro da minha empresa, as vezes sendo citado enquanto o meu rosto estampa as capas de revista.
Eu não estou querendo um lugar na mesa pra pegar o maior prato da banquete, afinal, essa mesa inteira já é minha. Não se preocupem, eu vou repartir o meu banquete com cada um de vocês e provar que eu sou um chefe generoso, mas é bom que vocês já comecem a aceitar a ideia que Jon Moxley é coisa passageira e que Big Boss vai assumir o papel que levará a BML ao maior estrelato possível.
Já você, Dom Dom, vai pro castigo jajá. Enquanto eu estiver por aqui, você vai sempre ficar escanteado e, de preferência, ser mandado embora pra bem longe. Se você não acredita em mim, garoto...
It's true. It's damn true.
Bis Boss.
ResponderExcluirCapítulo 1: O Homem Mais Consciente da Sala
A câmera liga. Tyler Breeze está sentado sozinho no vestiário, inclinado para frente em uma cadeira metálica.
— Quando eu cheguei na Big Mouth Loud, eu ouvi muitas coisas. “Violenta”, “caótica”, “sem controle”.
Tyler balança a cabeça lentamente.
— Mas sabe qual é a palavra que descreve perfeitamente esse lugar?
Ele se aproxima um pouco da câmera.
— Tóxico.
Após uma breve pausa, ele retoma a fala.
— Esse lugar é cheio de homens tóxicos. Homens que confundem brutalidade com personalidade. Homens que acham que berrar mais alto automaticamente os torna mais relevantes. Homens que entram num ringue como cães famintos arrancando uns aos outros por migalhas de atenção. E o mais engraçado disso tudo… eles provavelmente olham pra mim e pensam que sou feito do mesmo material que eles.
Tyler se recosta na cadeira.
— Minha estreia na King Of The Indies Match deveria ter deixado algo muito claro pra todo mundo, mas não posso esperar poder dedutivo de pessoas que pagam para ver tipos como “Dominick Mysterio” e “Big Boss”, então deixe-me colocar da forma mais óbvia possível: eu pertenço ao topo dessa empresa. Não porque eu sou o mais violento. Não porque eu sou o mais louco, mas porque eu sou o melhor e é simples assim. Saya Kamitani me eliminou, é verdade. Saya Kamitani foi proclamada a grande vencedora da noite. Parabéns pra ela! Sério, foi inteligente. Porque por um segundo… só um segundo… eu achei que pudesse confiar nela. Erro meu. Um erro que não voltará a se repetir.
Ele se levanta devagar, caminhando pelo vestiário enquanto fala.
— Aquilo não foi totalmente ruim. Aquilo me fez confirmar o que eu já desconfiava desde o princípio: esse lugar não funciona com confiança. Não funciona com respeito. Não funciona com conexão humana. A Big Mouth Loud é um ecossistema de egos doentes tentando sobreviver uns aos outros. E certamente ninguém aqui é mais consciente disso do que eu. Tendo dito tudo isto… eu sei que agora você quer saber por que eu aceitei lutar ao lado de JTG contra Bruiser Brody e Stan Hansen. “Tyler, vocês são amigos agora?” “Tyler, você finalmente encontrou alguém semelhante a você nessa empresa?” E a resposta nunca poderia ser outra… não! JTG é útil neste momento, nada além disso. Bruiser Brody e Stan Hansen são lendas. Dinossauros moldados numa era em que deixar cicatrizes era mais importante do que deixar legado. E eu entendo o peso disso. Entendo o simbolismo. Entendo o que significa dividir o ringue com eles.
Então seu sorriso cresce.
— Porque enquanto todo mundo olha pra essa luta e vê uma guerra… eu vejo apenas a oportunidade. Uma oportunidade de fazer aquilo que eu faço de melhor. Oportunidade de roubar a cena. Oportunidade não de sobreviver aos monstros, mas de fazê-los render-se em frente ao inevitável. Oportunidade de garantir que, no final da noite, ninguém esteja falando sobre Brody. Ninguém esteja falando sobre Hansen. E definitivamente ninguém esteja falando sobre JTG.
Agora Tyler está muito próximo da câmera. Confiante. Controlado. Vaidoso.
— Eles vão falar sobre mim.
Tyler encara a lente por alguns segundos, sorri novamente, e só então vai embora.
Em todo meu tempo de vida, sofri inúmeras derrotas... no ringue ou não, foram essas decepções que proveram muito de meu sucesso posterior. Quero dizer, a velha máxima de que aprendemos em nossos erros funciona em muitas das vezes. Nunca tive medo de errar ou de perder. Para muitos, talvez essa seja minha maior falha, mas da forma que eu vejo, eu estaria falhando se não me arriscasse todas as vezes. Eu assumo os riscos pois sem eles eu não estaria vivendo ao meu nível.
ResponderExcluirA BML me trouxe novamente uma sensação que há tempos não havia vivenciado, e novamente, não perderei nenhuma oportunidade de viver isso ao máximo. Não se engane, em momento algum farei isso por qualquer um dos otários que estarão em seus assentos implorando por aqueles segundos que coloquei minha vida em risco por segundos de êxtase, farei meu máximo porque essa é a única maneira em que sei fazer.
Meu oponente, por outro lado, me mostra tudo aquilo que mais me enoja. Me impressiona quando um suposto campeão se esconde atrás de cinturão, para evitar tomar riscos. Bobby, não o vi no último show. Talvez estivesse poupando dos perigos de possivelmente se deparar com Jeff Hardy em sua frente. Bem, não o julgo. Enfrentar um homem que não tem nada a perder pode ser assustador. Tenho uma má notícia, o momento chegou. Dessa vez, não há como recuar.
Temos um dilema aqui, você tem algo que eu quero... quer dizer, preciso. Existe algo interessante nisso, o Pure Championship remete a muito daquilo que quis dizer desde que cheguei nesta empresa, meu anseio em estar aqui é puramente por wrestling. Isso quer dizer que nada faria mais sentido do que ter em meus ombros o título que me define, puramente o melhor wrestler de toda companhia.
Jeff Hardy
Jeff Hardy fellas... você bem sabe que nenhum de nós dois é PURO o suficiente pra esse cinturão aqui, meu chapa... se acender um fósforo do seu lado é capaz de explodir kkk. Existem algumas sistemáticas que nunca mudam. A minha é parar de fumar, a sua é ficar sóbrio. Você continua sendo o mesmo junkie de merda que eu via na TV quando era moleque. Só que agora tá mais velho, mais lento, mais quebrado e ainda fingindo que é o Charismatic Enigma. Enigma da minha caceta, amigo. Você é só um viciado previsível que cheira, injeta ou engole qualquer coisa que faça ele lembrar que já foi bom um dia. E não tá errado, mas... olha pra você, caba... andando como se tivesse levado uma porrada da vida inteira e levou mesmo, né? Eu juro, meu velho, se eu visse uma foto sua no meu cingarinho eu parava de fumar na mesma hora, meu chapa. SIM! EU, O REI DO MAÇO... tem futuro, fellas? O público te olha com pena, irmão. Pena! Aquele mesmo público que você tanto ama te vê como um palhaço que não sabe quando parar.
ResponderExcluir[Agora ele olha sério pra câmera
Mas aqui estou eu. Porque por mais que eu despreze esse lugar... América ainda é a maior vitrine do mundo. E eu não vim aqui pra fazer parte do show. Eu vim pra mudar o show. Eu trouxe algo que vocês esqueceram há muito tempo: wrestling PURO. Sem firula. Puro suco. Sem personagem da MARVEL. Só dois home no ringue, técnica, violência, inteligência e dor. O wrestling que merece respeito. LUTA DE MACHO. Você, Jeff... você é a cara de tudo que eu vim destruir. Um homem que passou a carreira inteira se destruindo por entretenimento. Um símbolo do excesso, da autodestruição romantizada, do circo que essa indústria virou. Eu vo lhe BAGAÇAR, Jeff Hardy! Eu não estou aqui pra entreter!
Eu estou aqui pra conquistar. E fuma. E se pra isso eu tiver que passar por cima de lendas caídas, de ícones quebrados e de um público que não entende mais a diferença entre arte e palhaçada... que assim seja. Eu odeio a América beleza.
Mas eu amo o que eu posso fazer aqui. E fuma.
Bobby Gunns
[ONITA Factory. O ginásio está fechado. Ninguem está treinando. No ringue, apenas duas cadeiras. Shibata está de pé do lado de uma delas. Ele está lá batendo o pé ansiosamente, claramente esperando por mais alguém. Esse alguém? O próprio ONITA que mesmo atrasado, vai sem pressa nenhuma de encontro com o novato.]
ResponderExcluirKatsuyori Shibata: Demora da porra.
ONITA: Eu falei que ia chegar na hora?
Katsuyori Shibata: Foda-se.
ONITA: Senta ai logo, precisamos conversar.
Katsuyori Shibata: Conversar? Eu vim aqui pra treinar, ONITA. Não me diga que você me trouxe aqui pra conversar. Eu lá tô com cara que quero ficar batendo papo com gente da sua idade?
ONITA: Me escuta aqui seu punk, senta a porra da bunda e escuta o que eu tenho pra te dizer.
Katsuyori Shibata: Beleza, ta bom. Pode falar.
ONITA: E o King Of The Indies, seu merdinha?
Katsuyori Shibata: O que tem?
ONITA: Como assim o que tem? Eu te arrumei um spot naquela merda e na hora do show eu recebo uma ligaçao do Moxley me dizendo que o garoto que eu trouxe simplesmente não apareceu?!
Katsuyori Shibata: Eu só não quis mesmo.
ONITA: Você… Você só pode achar que eu sou idiota né, seu merdinha? Não quis? Claro que você queria! Você implorou para estar naquela empresa e eu te coloquei la mas na hora de lutar você não quis mais?
Katsuyori Shibata: Que foi, porra? Ta surdo?
ONITA: Fala a verdade, você ficou com medo.
Katsuyori Shibata: Medo? Olha na minha cara, velhote. Você acha que eu fiquei com medo? Não, idiota. Eu só não quis perder meu tempo. Eu não tenho nada a provar a ninguem. Jon Moxley queria seu ace, problema dele, eu não vim aqui para ser porta voz de ninguem. Tu tá certo mesmo, ONITA. Eu implorei pra vir pra BML. E deu certo. Eu tô lá. Valeu. Obrigado. Não vamos confundir as coisas aqui, beleza? Eu sei o que to fazendo. Inclusive, eu ja arrumei uma luta pra mim no proximo show.
ONITA: Ah, é? Com quem?
Katsuyori Shibata: Sei la, fiquei andando por até achar um gaijin que me daria uma boa luta. Eu acho que é esse o cara.
ONITA: Então você não sabe nada sobre ele?
Katsuyori Shibata: Nada de nada.
ONITA: Arriscado, garoto, arriscado. Você pode estar tentando caçar algo que você não pode matar e nem se da conta disso.
Katsuyori Shibata: É, ok. Eu apenas faço as coisas. Eu não penso muito. Mas esse é o meu diferencial, não é? Eu atiro, depois pergunto. Eu faço as coisas acontecerem e você mesmo não pode discordar que é justamente por isso que eu estou aqui mesmo tão novo. Então na moral? Relaxa. Eu sei o que eu to fazendo.
[Shibata sai dali sem deixar ONITA dar uma palavra final. É, o moleque é foda.]
Eu te invejo. Eu te abomino.
ResponderExcluir[Saya está sentada à mesma mesa, na mesma sala, observando um balde de tinta num tom avermelhado mais escuro. O ambiente estava ainda mais enegrecido e decadente, resultado do incêndio que ocorreu. Ela manuseia um pincel, mas antes de mergulhá-lo no balde, quebra-o. Então, sem cerimônias, afunda seu braço no balde, e começa a encarar sua mão suja bem próxima ao seu rosto.]
Como você diferencia um artista de sua arte? O quanto do espírito de Michelângelo foi parar no teto da Capela Sistina? Dá para distinguir o objeto de seu criador? Acredito que nas artes plásticas é mais fácil responder. A conexão entre aquele que segurou a ponta seca do pincel e os movimentos registrados na superfície daquela construção é invisível. Toda a nossa percepção de seu talento que temos hoje é baseada nos materiais que ele deixou, pois Michelângelo já morreu. Hoje, não nos importamos com como ele vivia, quem eram seus amigos, família, nas coisas que o inspiraram. Michelângelo deixou de ser uma pessoa factível, que viveu e pisou na mesma terra que pisamos, e se tornou um construto idealístico que possuímos sobre o seu trabalho. Quase como se seu espírito habitasse em suas obras, e as partes que não conseguimos encontrar nelas foram apagadas da história. No nosso caso é um pouco mais complicado. Nós somos os artistas e também somos a nossa arte. A maneira a qual nos vestimos, as palavras que proferimos, as agressões que desferimos, às agressões alheias que resistimos… São como se fossem os traços com os quais compomos as nossas personagens. A conexão entre aquele que produz esses traços e a pessoa que o público assiste nos ringues não é invisível: ela não existe! Quem dá a porrada sou eu, quem toma a porrada ainda sou eu! Já que colocaram um alvo em mim e você veio imediatamente me caçar, vamos fazer isso de verdade. Hoje é sem fantasias, Dustin.
Eu sou a personagem e a artista simultaneamente. Um objeto de cobiça e inveja, e o objetivo de todos aqui. Eu sou Michelângelo e o seu afresco, eu sou Van Gogh e a Noite Estrelada, Da Vinci e a Monalisa. The Phenex Queen of the Indies, o grande motivo de você ter trazido sua carcaça podre para Ohio. Meu personagem é majestoso porque eu sou majestosa. Chamam-me de Saya Kamitani, não porque eu quero, mas porque este é meu verdadeiro nome. Esta tinta que banha meu braço pode representar a sanguinolência na qual eu me banho e construo meu legado. Mas, o que me diferencia de todos os outros não é nenhuma fantasia, poesia ou metáfora bem elaborada. Falar bonito só te leva até certo ponto. O que me diferencia de todos os outros é que eu venci, mas eu não luto para vencer. A competitividade é o mais saboroso dos combustíveis, e jogaram um galão cheio sobre um pássaro de fogo. Pedaços de metal para carregar, o reconhecimento do seu sucesso, são todos prazeres legais, mas momentâneos. Eu busco a eternidade e a plenitude que apenas uma expressão artística tão visceral e crua pode me oferecer. Eu sou obstinada pelo combate. A sensação de que a qualquer momento um golpe pode acabar de vez com o meu sofrimento é viciante. E o descarrego desesperado de toda a minha amargura, todo o meu rancor, sobre o desgraçado do oponente que não me concedeu esse simples pedido… É arte. Para você, Dustin, e para todos os que virão após: eu não vou me defender, uma fênix não precisa disso. Se você quer tanto me dar prazer, mate-me! Porque nós não vamos ambos sair vivos daquele ringue!
[Saya passa a mão de tinta em seu rosto mas faz uma feição de desagrado. Ela então se levanta e caminha até um grande espelho, encostado em um dos cantos da sala, perto de uma grande janela. Kamitani encara seu reflexo com atenção, analisando as marcas da tinta na sua pele. Então, abruptamente acerta uma forte cabeçada no vidro, quebrando o espelho e abrindo um corte em sua testa. Sangue começa a escorrer e finalmente um sorriso se abre.]
A tinta pode possuir uma textura parecida, uma tonalidade idêntica, mas ainda falta o cheiro do sangue. E como toda farsa, é exposta pelo tempo: ao invés de evaporar, ou ser absorvida pela superfície, ela endurece quando seca. Dustin, você que é mais experiente no assunto pode me responder uma pergunta: quanta tinta é necessária para você fingir que não se reconhece mais no espelho? Eu te reconheço, desgraçado. Objeto e criador, arte e artista. E te invejo. E te abomino. Escatologia pode ser um pecado aos olhos de Deus, mas não aos olhos da Marquesa do Inferno. Você tem muita coragem para proferir os absurdos que profere, para encenar as bizarrices que encena. Mas essa coragem só vai até certo ponto, porque ainda se esconde dessa pintura. Ela te ajuda a chegar em casa e olhar no olho dos seus familiares? Ela alivia a sua consciência ao deitar em seu travesseiro? Como se os seus pecados fossem transferidos para esse personagem que criou. Uma vida já é dura demais para se viver, imagine duas. Você carrega um peso desnecessariamente grande sobre seus ombros, e tudo isso porque não passa de um covarde! Se você não consegue matar o medo de se expor, acredito que seja pedir demais para que você me mate. Deus pode te perdoar pelos teus pecados, mas eu não vou perdoar a sua covardia!
ExcluirE até o final de nosso duelo, eu vou expor para todos dentro do Fitton Center o verdadeiro Dustin. Arrancar o ouro da sua face com as minhas unhas, fazê-lo sangrar até os rios vermelhos cobrirem toda a sua pintura. Arrancar o ouro de seu peito e te chutar de volta para o bueiro de onde saiu de mãos vazias. Arrancar o ouro de seu nome na hora de cravar na sua lápide. A sua personagem não te faz ser menos podre, e suas conquistas não te fazem menos pedante. Ninguém coloca um alvo na cabeça de algo fácil de se matar. Esse objetivo que venderam para vocês é uma grande armadilha! Porque se eu soubesse como me matar, eu já tinha me matado! Não é possível que você respire o ar pesado desta cidade, e não perceba que algo estranho está acontecendo. Você mesmo disse que este é o lado sujo da indústria, e ainda assim ofereceu tudo o que tinha para o diabo? Esse é o problema da covardia, Dustin. Ela não te permite ser tolo. Porque as consequências sempre são desoladoras. Os sinais todos brilharam para você, os avisos todos brilharam para você, mas você quis brilhar mais do que todos eles! Você pediu para eu escolher entre seu cinturão e o seu pau, mas nenhum dos dois me vale de porra nenhuma!
Não se apegue ao meu personagem, Dustin, e esqueça da artista. Eu sou sim uma fênix, mas não é isso o que deve te preocupar. O que impossibilita a sua missão não é o folclore ou a fantasia, é o fato de que eu sou uma competidora muito mais jovem, faminta e obstinada que você. É a coragem que eu tenho de expor os meus demônios, as minhas dúvidas e as minhas fragilidades. É o ranço imensurável que nutro por criaturas medíocres e medonhas como você. E se tudo isso me falhar e se por um milagre você me matar… Aí sim você vai se lembrar de que sou uma fênix. Já você? Está há muitos anos além do seu auge. Tenta compensar a decadência física com a exacerbação do absurdo. Mas, você não me choca, nem mesmo me enoja. Eu vivo no inferno, Dustin, a escatologia é segunda-feira para mim. “O mais perto de um orgasmo que eu nunca tive? Se não consegue terminar o serviço, nem começa a foder.
[Saya ri, pega o grande espelho com certa dificuldade e o arremessa pela janela, quebrando-a. As gargalhadas ficam cada vez mais altas e ela se joga no chão. Passa então a mão sem tinta no sangue que escorria e a leva até sua boca].
O seu eu não me arrisco a provar.
[Saya continua gargalhando no chão.]
Não apague um artista, exponha-o
A Marquesa do Inferno
The Phenex Queen
Saya Kamitani